A demissão de Xabi Alonso do Real Madrid, confirmada após a derrota para o Barcelona na final da Supercopa da Espanha, não pode ser lida apenas como consequência de um clássico perdido. Trata-se, sobretudo, de mais um episódio que reforça a lógica estrutural do clube: no Santiago Bernabéu, o tempo é um recurso escasso e a margem para experimentação é mínima — especialmente quando o rival catalão está do outro lado do campo.
Contratado para inaugurar uma nova fase após a saída de Carlo Ancelotti, Xabi Alonso chegou cercado de expectativa. Seu currículo recente, associado a um futebol propositivo e organizado, indicava a tentativa de um Real Madrid mais controlador, menos dependente de soluções individuais. Em determinados momentos da temporada, essa proposta apareceu. Em outros, foi sufocada pela exigência permanente de vitórias, pela pressão do calendário e por um elenco moldado para competir no mais alto nível imediatamente.
A derrota para o Barcelona funcionou como catalisador, não como causa isolada. O desempenho irregular, aliado à sensação de um time ainda em construção, pesou mais do que o placar em si. No Real Madrid, projetos só sobrevivem quando entregam resultados enquanto amadurecem. Xabi acabou preso nesse intervalo perigoso entre ideia e execução.
Com a saída do treinador, a diretoria optou por uma solução interna e simbólica: Álvaro Arbeloa foi escolhido como novo técnico do Real Madrid. Ex-jogador do clube e comandante do Castilla, Arbeloa representa continuidade institucional e conhecimento profundo do ambiente. Sua promoção sinaliza uma tentativa de estabilização imediata, alguém que compreende a cultura do vestiário e o peso da camisa, mesmo sem larga experiência no comando de equipes principais.
Ainda assim, a escolha não encerra o debate sobre o perfil ideal de treinador para o Real Madrid. A queda de Xabi Alonso reacende a discussão entre técnicos de ideia e técnicos de contexto. Nomes como Zinedine Zidane e Carlo Ancelotti seguem como referências naturais sempre que o clube atravessa momentos de instabilidade, justamente por dominarem o fator mais decisivo em Madri: a gestão de egos e expectativas. Por outro lado, alternativas como Julian Nagelsmann ou Roberto De Zerbi oferecem conceitos claros de jogo, mas exigiriam tempo — algo que o clube historicamente reluta em conceder.
A nomeação de Arbeloa, portanto, parece menos uma aposta de longo prazo e mais uma resposta imediata à turbulência. Um movimento típico de um clube que prefere o controle do ambiente à aposta em processos prolongados. No Real Madrid, o treinador ideal não é apenas aquele que pensa o jogo, mas aquele que entende a urgência permanente de vencer.
O fim precoce da passagem de Xabi Alonso deixa uma lição clara: no futebol do Real Madrid, boas ideias não bastam. É preciso que elas se traduzam em vitórias rápidas, sobretudo contra o Barcelona. Caso contrário, a história segue seu curso habitual — curto, intenso e implacável.









