Você já parou para pensar que a Argentina não tem, posição por posição, o melhor elenco do mundo? Tirando o Messi, quantos jogadores argentinos você colocaria como o melhor do planeta na função? Pouquíssimos.
Mesmo assim, essa seleção conquistou a Copa América, levantou a Copa do Mundo e continua disputando títulos. Então, qual é o segredo? Muita gente responde que é o Messi. Mas a verdade é que existe uma decisão de Lionel Scaloni que mudou completamente a história da seleção argentina.
Depois do desastre na Copa de 2018, quando a Argentina foi eliminada pela França nas oitavas de final, a AFA entregou o comando a um técnico praticamente sem currículo. A escolha foi muito criticada. Quase ninguém acreditava que Lionel Scaloni pudesse reconstruir a equipe.
Os primeiros meses também não foram fáceis. A Argentina ainda buscava um caminho e acabou eliminada pelo Brasil na semifinal da Copa América de 2019.
Foi justamente depois daquela derrota que Scaloni percebeu que insistir em fórmulas prontas não faria sua seleção voltar ao topo. A partir dali, ele decidiu resgatar aquilo que sempre marcou o futebol argentino. Um time competitivo, intenso, com posse de bola, jogadores próximos uns dos outros, muita movimentação e, principalmente, personalidade para controlar os jogos. Ao mesmo tempo, fez outra mudança decisiva: parou de encaixar Messi em um sistema e passou a construir o sistema em torno de Messi. O camisa 10 ganhou liberdade para atuar pelo centro, com menos responsabilidades defensivas e toda a energia voltada para criar jogadas.
Dai surgiu a Scalonea, o resultado todo mundo conhece.
A Argentina conquistou a Copa América de 2021, foi campeã mundial em 2022 e segue brigando por mais títulos.
Agora olha que curioso.
Enquanto a Argentina decidiu olhar para dentro, recuperar sua identidade e valorizar as características que sempre fizeram parte do seu futebol, o Brasil parece ter escolhido o caminho oposto. Nos últimos anos, a Seleção Brasileira tem buscado cada vez mais referências no futebol europeu, tanto na forma de jogar quanto na maneira de montar a equipe.
Essa discussão fica ainda mais evidente com a aposta em um treinador italiano para comandar a Seleção. A ideia é importar um modelo de jogo que fez história na Itália, baseado em organização tática, disciplina e equilíbrio defensivo.
Mas fica uma pergunta.
Será que faz sentido abrir mão da identidade que transformou o Brasil no maior exportador de talentos do futebol mundial para copiar um modelo estrangeiro?
Mais do que isso: será que vale apostar justamente em um estilo que nem conseguiu recolocar a própria Itália entre as grandes seleções do planeta? Afinal, os italianos sequer conseguiram se classificar para três Copas do Mundo consecutivas.
Talvez o maior ensinamento da Argentina seja justamente esse.
Em vez de tentar ser outra seleção, ela voltou a ser a Argentina.
E talvez o Brasil precise responder uma pergunta antes de pensar em qualquer esquema tático.
Nós queremos jogar como a Europa… ou queremos voltar a jogar como o Brasil?
Comenta aqui embaixo a sua opinião. Você acha que a Seleção Brasileira precisa recuperar sua identidade ou seguir buscando inspiração no futebol europeu?








